Rodrigo


sleepy hollow

Quarta-feira, Outubro 27, 2004

Aikaa multaa muistot ?

“O tempo enterra as lembranças”.
Será mesmo? Ultimamente tenho sido levado a duvidar deste provérbio suéco. Afinal, minhas lembranças nunca estiveram tão vivas. O passado sempre continua batendo a minha porta e, no meu caso, isso não é exatamente ruim, pelo contrario, é ótimo saber que eu tenho uma historia, uma “biografia”.
Só que ao mesmo tempo, as vezes me vem um pensamento estranho: será que essa não é só mais uma forma de escapismo? Será que essa continua volta não significa um impedimento de seguir em frente? Afinal, quem vive de passado é museu.
Mas é justamente esta diferença que tem se tornado cada vez mais clara pra mim: eu não vivo de lembranças, mas tudo pelo qual eu já passei é que é responsável pelo que sou hoje. Tendo isso em mente eu posso aproveitar apenas a parte boa das lembranças. Memórias que se tornam ainda melhores quando são lembradas junto com quem as viveu com você. Compartilhar coisas do passado faz com que, de certa forma, nós voltemos a vive-las.
Eu adoro quando sinto um perfume, um sabor, ou vejo algo que trás novamente à tona uma situação que já estava longe na memória, quando eu sinto, por exemplo, cheiro de carne cozida com batatas e me lembro de quando eu passava as tardes depois da escola com a minha Vó, ou quando vejo um pacote de “fandangos tubinho” e me lembro da época em que pegava pirua pra ir até o “Meu Cantinho” na época do pré, ou quando estou comendo enroladinho de presunto e queijo e me lembro de quando eu, meu pai e meu Avô estávamos construindo minha casinha (que saudade...) e sempre tomávamos lanche na padaria da esquina. Todas essas coisas me marcaram de alguma forma, e fazem parte do meu “alicerce”. Todas as pessoas que eu já conheci na vida, mesmo que eu nem lembre mais de um monte delas, também tem grande parcela de “culpa” no que diz respeito à formação desse grande amontoado de experiências e sensações que formam a minha personalidade.
É por isso que eu acho que o tempo não enterra as lembranças não, pelo contrário ele as realça e faz com que a gente olhe de outra forma para o que já passou, mas que nunca vai ser apagado...