Rodrigo


sleepy hollow

Domingo, Julho 04, 2004

Viva La Revolución!!!

A algum tempo atrás fui assistir ao filme “Diários de Motocicleta”, um filme bem legal aliás, que entre muitas outras coisas me fez pensar em como todos os ícones, todas as ideologias, todos os movimentos, todas as coisas em fim, por mais undergrownd ou anti-comercial que possam ser, acabam mais cedo ou mais tarde sendo absorvidas pelo mainstream.
Exemplos não faltam: além do próprio “Che” que de revolucionário com ideais Marxistas passou a estampar camisetas, adesivos e todo o tipo de memorabilha (até site de vendas na internet ele tem...), temos o movimento Punk que era abominado no final dos anos 70 por qualquer pai de família e mesmo assim deu origem ao penteado “moicano” que hoje é usado por jogadores de futebol, aspirantes a galã da novela das 8 e por mauricinhos em geral, às calças jeans rasgadas e às camisetas com o símbolo da “anarquia” que encontramos hoje facilmente em qualquer shopping. Continuando no meio musical podemos lembrar também das bandas de “Rock Pesado” (Heavy Metal se preferir...), que desde o final dos anos 60 eram acusados de serem satanistas (entre outras coisas...) e acabavam sendo segregados pelas pessoas que zelavam pela “moral e bons costumes”, mas que hoje acabaram se tornando freqüentadores assíduos dos lares pelo mundo afora, seja com o reality show americano de maior audiência dos últimos tempos protagonizado por Ozzy (que até já foi convidado por George W. Bush para jantar na casa branca...), pelas incríveis vendagens do Metallica (com presença sempre garantida na MTV...) ou ainda pelo fôlego incansável da banda predileta de 8 entre 10 garotinhos de 14 anos de idade: Irom Maiden. Passando novamente para a praia política temos Osama Bin Laden (o inimigo numero 1 do mundo civilizado...), que apesar de ainda estar sendo procurado pelo governo americano, pode ser facilmente encontrado em camisetas, bonequinhos e outros incontáveis produtos.
Em suma, como já foi dito, tudo acaba sendo absorvido pelas massas entrando para o senso comum e virando mercadoria. O que me leva a uma inevitável pergunta: será que não há mais lugar no mundo para manifestações revolucionarias, provocadoras, que ameacem o poder estabelecido e façam a sociedade se mover???
Como os últimos grandes ícones da contra cultura que me vem à cabeça datam do final dos anos 60 e começo dos 70 (realmente não consigo me lembrar de algo mais recente...), infelizmente parece que a resposta à pergunta acima é a pior possível: realmente hoje em dia ninguém mais nada contra a corrente, ninguém mais tem suas próprias idéias, não há mais inovações, não há mais vontade de encontrar saídas.
Ao que tudo indica o mainstream absorveu até a capacidade humana de discordar, afinal, não importa o que façamos tudo sempre acaba exposto em alguma vitrine.
É... parece que realmente a coisa ficou dura e infelizmente perdeu-se toda a ternura...