Morte a Hipocrisia!!!
“Agora que faço eu da vida sem você
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho”
Os versos acima são de um compositor chamado Fernando Mendes, um daqueles cantores que costumavam freqüentar o programa do Chacrinha nos anos 70 e que era considerado “brega” por um bando de intelectualóides da época. Mas o tempo passou e alguns anos depois um certo Caetano Veloso resolveu regravar essa música (trilha do filme “Lisbela e o Prisioneiro”...) e como se houvessem mudado da água para o vinho, aqueles mesmos que desciam o cacete no coitado do Fernando hoje aplaudem a interpretação de Caetano: “Ele é mesmo um grande artista”, “Mas que melodia! Que letra poética!”, “Ele é um mestre da mpb!”...foi por ouvir esses e outros comentários que minha revolta começou.
Como é possível que a mesma música, com exatamente a mesma letra possa passar do brega ao cult simplesmente com a mudança de interprete, será que alguém pode me explicar??????
Alguns podem dizer que é por causa das mudanças no arranjo, ai eu serei obrigado a responder que apenas a inclusão de algumas batidinhas eletrônicas (puts puts pra dar um toque moderninho...) e de um arranjo de cordas ao fundo (pra exaltar a fusão entre erudito e popular, né...), não são suficientes pra me convencer, elas só demonstram a cara de pau desse artista baiano e as artimanhas dele pra conquistar o público.
Na minha opinião, a única explicação pra esse fenômeno é a hipocrisia generalizada que acomete a maioria dos cidadãos contemporâneos. Sabe aquela mania de querer ser “chic” e esconder as mazelas debaixo do tapete??? Pois é, a maioria das pessoas que hoje exaltam o tropicalista são aquelas que tem mania de “chiqueza” e que não conseguem perceber que ele também é “brega”, assim como tudo nesse pais...
